domingo, 30 de junho de 2013

Itália mostra 'mapa da mina' da Espanha para a seleção.

Felipão e Prandelli se cumprimentam antes de jogo: italiano encurralou a Espanha
Se seus jogadores deixaram o campo cabisbaixos pela derrota desta quinta-feira para a Espanha, em Fortaleza, a seleção italiana foi saudada como uma vencedora moral do confronto no Castelão. De quebra, mostrou à seleção brasileira o "mapa da mina" para enfrentar Xavi, Iniesta & cia. na final da Copa das Confederações. E o primeiro movimento passou pela combinação de ousadia e adaptação por parte do treinador da Azzurra, Cesare Prandelli.

Sem seu principal atacante, Mario Balotelli – lesionado e fora da Copa das Confederações – e com a missão pressionar o meio de campo espanhol, Prandelli optou por usar uma linha de três zagueiros como forma de tapar os buracos no sistema defensivo italiano (a Azzurra sofreu 9 gols nas três partidas da primeira fase) e de plantar nas alas jogadores capazes de conter os avanços dos laterais espanhóis, em especial Jordi Alba.

Mas foi na marcação mais agressiva da saída de bola espanhola que Prandelli causou mais problemas ao time de Vicente Del Bosque. Invicta há 28 jogos desde a surpreendente derrota para a Suíça na primeira rodada da Copa do Mundo da África do Sul, a Espanha nos últimos anos registrou uma impressionante capacidade de dominar ações, com média de posse de bola na casa de 68%.

Contra a Itália, porém, o índice foi de 53%, e os problemas que a Espanha teve em lidar com o cerco italiano também foram expressados pelo número de bolas perdidas pela Fúria no gramado do Castelão: 39, número bem superior que as 22,3 que na primeira fase tinham feito dos espanhóis os menos "dispendiosos" da competição.

A Itália de Prandelli, porém, fez mais do que empurrar a Espanha para seu campo defensivo. A formação 3-4-2-1 usada pela Azzurra combinou tenacidade com o uso de Maggio e Candeva para dobrar em cima de Alba e exporar espaços no lado esquerdo da defesa do time de Del Bosque.

Do lado direito, Giaccherini também causou desconforto ao lateral-direito da Fúria. Os italianos ainda chutaram 14 vezes a gol, cinco a menos que a Espanha, mas com frequência suficiente para assustar o goleiro Casillas. Difícil não imaginar que a sorte italiana poderia ser outra caso Balotelli estivesse em campo.

"A Espanha está à frente de concorrência porque vem trabalhando junta há anos, mas nós tivemos um desempenho muito bom do início ao fim e criamos chances de vencer o jogo", lamentou Prandelli.

Pela TV, no entanto, seu colega Luiz Felipe Scolari deve ter reagido de forma mais empolgada. Pelo menos no papel ele tem armas para preparar armadilhas para os espanhóis, e já andou ensaiando o uso de David Luiz, Thiago Silva e Dante numa linha de três zagueiros, por exemplo – vale ressaltar, porém, que contra a Espanha, Prandelli usou Barzagli, Chiellini e Bonucci, que atuam juntos na Juventus, enquanto David Luiz, Dante e Thiago Silva não apenas são de clubes diferentes como não jogam regularmente em linhas de três.

A Itália conseguiu criar problemas para a Espanha sem precisar "abrir a caixa de ferramentas". Cometeu 17 faltas no Castelão, número bem próximo à média de 16,7 por partida na Copa das Confederações. Na verdade beneficiou-se do desequilíbrio causado na Espanha pela ausência do lesionado Xabi Alonso, cuja parceria de contenção no meio de campo com Sergio Busquets vinha sendo crucial para a Espanha, tanto para o desarme quanto para "alimentar" Xavi e Iniesta.

Del Bosque até agora optou por usar Busquets sozinho, mas a Itália expôs essa vulnerabilidade. "Os italianos nos colocaram sob pressão e mereciam ter marcado gols no primeiro tempo. Só começamos a impor nosso ritmo quando os italianos cansaram", admitiu o treinador espanhol.

A vez do Brasil testar o domínio espanhol será neste domingo, a partir das 19h, na final da Copa das Confederações.

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