terça-feira, 23 de julho de 2013

Prefeito de Jaguaribara diz que é preciso aprimorar o uso do Castanhão.


 
Diante do artigo do dr. Cássio Borges, engenheiro bastante qualificado, no dia 27 de junho de 2013, e a carta do dr. Didymo Borges, publicada no dia 6 de julho de 2013, gostaria comentar os argumentos que se seguem em defesa da barragem do Castanhão. É bem verdade que sou economista.

Prefeito de Jaguaribara:

Não sou engenheiro, mas ouso dizer que conheço profundamente a história do Castanhão.

O caso de Jaguaribara é peculiar por se tratar de uma cidade que foi completamente transferida de local, para dar lugar à construção de um projeto hidráulico, na tentativa de resolver as necessidades de água do estado do Ceará. Pegos de surpresa, os habitantes de nossa pequena cidade do interior cearense passaram por momentos de instabilidade e incertezas e tentaram impedir que as águas destruíssem, além de casas e bens culturais, a própria identidade.

Inicialmente fui contra a construção da barragem, não por egoísmo, mas por medo. Medo que perdêssemos a identidade, perdêssemos nossas origens, perdêssemos inclusive

nossa base econômica. Lutamos para que fossem pagas indenizações justas a todos os proprietários de imóveis. E que tivéssemos uma cidade. Não um grande conjunto habitacional, mas uma cidade para ser chamada de nossa, e que nos orgulhássemos. Lutamos para participar dos processos decisórios, já que os maiores interessados seríamos nós.

Naquela época não sabíamos o que ia acontecer. Tínhamos exemplos de barragens cujos efeitos foram desastrosos. Indenizações não pagas e promessas não cumpridas. Era um mar de incertezas.

Os benefícios da barragem do Castanhão são imensuráveis. Contenção de cheias, reservatório para os tempos difíceis de secas, viabilização de projetos estruturantes como o Porto do Pecém, a siderúrgica e até a sonhada refinaria. Todos esses projetos só são viáveis por causa de nosso sacrifício em perder nossa simples, mas amada, cidade.

Hoje, em Fortaleza não se sabe o que é racionamento de água, já há muito tempo, diferente do que acontece com Recife, por exemplo, que necessitou racionar o uso de água. É claro que o projeto da barragem não seria somente uma barragem para armazenar água e pronto. É um projeto muito mais ousado, um projeto em que a água seria compartilhada através de canais, em que outros reservatórios menores receberiam água para o uso racional em irrigação, consumo de animais e consumo humano.

É bom lembrar que o Castanhão é a maior barragem multiuso do Brasil, podendo, inclusive, gerar 25MW/hora. O que amenizaria os custos com energia elétrica. É bom lembrar que foi colocada uma turbina no açude do Orós para levar água a áreas mais altas, como no açude Feiticeiro no município de Jaguaribe, sem despesas com energia elétrica, e do açude Feiticeiro a água é levada a outras regiões menos favorecidas com este precioso líquido. Este procedimento deveria ser adotado no Castanhão. Existem estudos acerca desta possibilidade.

Obviamente o Castanhão precisa de obras complementares. E a boa discussão é como aprimorar o uso deste importante equipamento.


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