terça-feira, 2 de julho de 2013

Projetos de socialização dão retorno na Penitenciária Agricola Mário Negócio.

Major Humberto Pimenta
A semana que se encerrou ontem foi marcada por muito progresso e fartura no Complexo Penal Estadual Agrícola Mário Negócio (CPEAMN), onde a direção da unidade e osapenados dos regimes fechados e semiaberto puderam colher os frutos de quase seis meses de muito esforço e dedicação.
Em três hectares, das cinco plantas de milho, foram colhidas mais de 60 milheiros de espigas, gerando renda e esperança para quem amarga as grades de uma prisão e um dia sonha em voltar a viver em liberdade e a certeza de que nos tempos de trevas conseguiu produzir seu próprio sustento.
Para o major Humberto Pimenta, diretor do CPEAMN, 16 apenados estão diretamente ligados ao plantio e cultivo do milho. Ele lembra que desde que assumiu a direção do complexo, tem se deparado com vários problemas estruturais graves, que causaram muitas fugas e destruição da unidade.
Para tentar mudar este quadro desolador, a direção passou a efetuar uma verdadeira força-tarefa dentro da penitenciária, em todos os seus aspectos. Segundo o diretor Humberto, um dos problemas que encontrou assim que assumiu foi o gado morrendo de fome.
"Quando assumi a unidade esses bichos estavam passando fome. Aquela cena me desolou e eu resolvi agir. Fui até o município de Baraúna, onde há projetos de irrigação, e pedi ajuda a alguns amigos, que me deram uma carga de ração para alimentar o rebanho. Eu mesmo e alguns agentes carregamos um caminhão com várias doações e saciamos a fome do gado", explicou.
"Sanada esta situação, resolvemos fazer nosso próprio plantio, que não serviria para os animais, como também para ajudar os presos e o sustento da penitenciária", disse. O major explica também que além do milho colhido, muito em breve será a vez de colher as melancias, que já estão quase prontas para serem vendidas para o comércio.
O agente penitenciário e técnico agrícola Expedito Rocha, que coordena todos os projetos de irrigação, destaca a importância das atividades desenvolvidas pelos apenados. "Não só a penitenciária ganha com esses projetos que desenvolvemos aqui,como também os apenados, que ficam com parte da renda para ajudar seus familiares a se manter enquanto cumpre pena", disse Expedito Rocha.
Expedito explica ainda que 60% do lucro obtido com a colheita de milho ou dos projetos desenvolvidos vão para os presos que trabalham nas atividades e os outros 40% são para a manutenção mecânica da penitenciária.
"A renda, proveniente do lucro das atividades desenvolvidas aqui,60% são para os presos e o restante para a penitenciária. Com essa renda fazemos a manutenção dos serviços e compramos novos equipamentos para inovar os produtos", destacou.
O presidiário Francisco Albano Sobrinho, condenado a 14 anos de prisão, que atualmente cumpre pena no regime fechado, onde já está há cinco nos, vê na agricultura uma forma de passar o tempo e ocupar sua mente em uma atividade lucrativa. Ele é responsável pelo sistema de irrigação, uma prática que já desenvolvia antes de ser preso.
"Estava no regime fechado sem ter o que fazer, foi quando tomei conhecimento do sistema de irrigação que a penitenciária tem. Como eu já trabalhei a vida toda na agricultura, pedi uma chance ao diretor para me entregar aos projetos e graças a Deus estamos conseguindo reverter o quadro para melhor", concluiu o presidiário.
"Pintando a Liberdade" oportuniza apenados a ganharem dinheiro montando bolas de futebol
Atualmente 40 presos do regime fechado da Penitenciária Mário Negócio trabalham em um projeto desenvolvido pela instituição carcerária, em parceria com a Secretaria Estadual de Justiça e Cidadania (Sejuc) e com o Ministério do Esporte. O projeto "Pintando a Liberdade" consiste em fornecer aos presos kits de bolas de couro para que eles montem.
Os sentenciados que trabalham na montagem passaram por uma capacitação e todas as bolas montadas são levadas para os grandes centros comerciais do Brasil, conforme relatou o diretor da penitenciária, major Humberto Pimenta. "Para cada bola montada, os presos ganham uma quantia em dinheiro e assim como em todos os projetos, para cada três dias trabalhados, reduz um dia na pena. Além do mais, o detento adquire uma profissão que poderá ser utilizada por ele, quando um dia voltar ao convívio social", destacou.

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