quinta-feira, 15 de agosto de 2013

Projeto estimula produção e venda de pescado no Rio Grande do Norte.

Em Apodi, associação já produz com sucesso hambúrgueres e linguiça de tilápia (Fred Veras)
A aquicultura, criação de animais aquáticos, é a atividade pecuária de maior crescimento nas três últimas décadas no Brasil. O pescado, por ser um produto de alto valor nutritivo, saudável e saboroso possui um crescente mercado consumidor. Para fomentar esse mercado, o projeto Aquinordeste está buscando novas tecnologias e inovações que favoreçam o meio ambiente e aumentem a produtividade da região. Com o projeto, cerca de 3,4 mil produtores de 180 municípios nordestinos serão beneficiados.
Um dos principais desafios é gerar produtos com valor agregado dentro dessa cadeia produtiva, experiência que o Rio Grande do Norte já domina há alguns anos. A professora e pesquisadora da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), Heloísa Jerônimo, apresentou ao grupo de trabalho do projeto Aquinordeste a pesquisa para a produção de mortadela de carne de descarte de tilápia. A ideia é elaborar um subproduto da tilapicultura, que seja nutritivo, saboroso e sem a incorporação de aditivos químicos. “Um dos objetivos da pesquisa é aproveitar todas as matérias primas que a tilápia pode oferecer e transferir essa tecnologia aplicada aos parceiros e produtores atendidos pelo Sebrae”, destacou a professora.
O gestor do Projeto Piscicultura do Sebrae Rio Grande do Norte, Renato Gouveia, ressaltou que a pesquisa é bastante interessante para agregar mais valor à atividade. Segundo ele, já há vários outros subprodutos da tilápia, já testados com sucesso em solo potiguar, como almôndegas, salsichas e o “burguer fish”, que são saborosos e de alto valor nutritivo.
Os derivados de tilápias transformaram o município de Apodi, distante 328 quilômetros de Natal, que virou referência na produção do pescado em cativeiro no Rio Grande do Norte. Mensalmente, são produzidas cerca de seis toneladas do peixe, mérito da Associação de Aquicultores de Apodi (Aquapo). Com o apoio do Sebrae no Rio Grande do Norte, a Aquapo aposta na diversificação de produtos e na aproximação com o consumidor final.
Com 25 associados e 55 tanques de redes instalados, a associação beneficia linguiça, almôndegas e hambúrgueres de tilápia. Os produtos, fabricados após consultorias promovidas pelo Sebrae-RN, permitem um melhor aproveitamento do peixe e agregam valor ao pescado. “Os nossos produtos estão sendo diversificados para tornar a tilápia mais atrativa e fazer com que todos ganhem no final”, comemora o presidente da Aquapo, Antônio Francisco de França.
Projeto
No início do mês, gestores do Sebrae nos estados nordestinos estiveram analisando os avanços do projeto já alcançados em suas localidades. A região tem um grande potencial na aquicultura. Com a integração do rio São Francisco e a perenização dos mananciais, a região irá avançar ainda mais. “Precisamos preparar esses produtores, garantindo a competitividade e a sustentabilidade ambiental da atividade, sobretudo na região do semiárido”, ressaltou o superintendente do Sebrae Paraíba, Luiz Alberto Amorim.
Na Paraíba, o projeto irá beneficiar 300 aquicultores de 20 municípios, além de duas cooperativas e 15 associações. A produção será focada no cultivo de tilápia, tambaqui e ostra. “Apesar da estiagem no Nordeste, a produção aquícola tem apresentado boas perspectivas. Nessa atividade, há uma margem de lucro relevante, o que contribui para o desenvolvimento econômico da região”, ressaltou o analista técnico do Sebrae Paraíba e gestor do Aquinordeste, Jucieux Palmeira.
Para a gestora do projeto de Pesca e Aquicultura do Sebrae Nacional, Newman Costa, o foco do projeto é desenvolver e aumentar a produtividade do pescado na região Nordeste, com tecnologias que favoreçam o meio ambiente. “Esse é um projeto coletivo, agregador, em benefício do pequeno produtor. A meta é aumentar a produção, mas com a tecnologia adequada e de forma eficiente”.
Na avaliação da gestora do projeto do Sebrae em Sergipe, Maria Lúcia Alves, há um grande desafio pela frente a ser enfrentado pelos estados nordestinos. “Não temos um modelo pronto, já testado para o cultivo e para o mercado. Estamos construindo isso agora e será fantástico para a área aquícola da região”, disse. Um dos avanços é o guia orientativo, com modelos menos burocráticos para os licenciamentos ambientais, que já foi elaborado pelo grupo de trabalho e será lançado no final de agosto. (Com informações da ASN-PB)

Nenhum comentário:

Postar um comentário